Fertilcare lança campanha por doação de sêmen

Objetivo é coletar material, durante todo o ano, para ajudar mulheres que desejam ter filhos sozinhas, bem como casais homoafetivos

Por Ingred Suhet

Aos 44 anos, Patrícia tenta realizar um sonho: ser mãe. Esse desejo teve início ano passado, após o término de um relacionamento. Com o rompimento, ela ficou determinada a tentar, sozinha, ter uma família. Em janeiro de 2018, Patrícia optou por receber uma doação de sêmen, a fim de passar por um procedimento de fertilização para engravidar.

O material genético que possibilitou a primeira tentativa de gravidez de Patrícia vem de um banco de sêmen da clínica Fertilcare. Localizada em Brasília, a unidade de saúde realiza pela primeira vez campanha de coleta do material para proporcionar uma possível “produção independente” a mulheres que desejam ter filhos sozinhas. O serviço também é voltado para casais homoafetivos.

“Decidi ser mãe ano passado. Fiquei sabendo do banco de sêmen por uma médica que conheço. Resolvi visitar o local e me informei sobre o assunto. Antes de iniciar o tratamento, soube de características físicas do doador. Esse processo me animou”, comemorou Patrícia. “Fiz a primeira tentativa no começo do ano, mas perdi o bebê. Nem toda tentativa dá certo até o final. Mas quero tentar de novo. Tenho certeza que essa alternativa vai me aproximar da realização do meu sonho”, completou.

A diretora da Fertilcare, Beatriz de Mattos, explica que a campanha para recolhimento de sêmen acontecerá até o fim deste ano. “Somos os primeiros a fazer esse tipo de trabalho em Brasília. Nosso objetivo é ajudar as pessoas a transformarem sonhos em vidas”, disse.

“A ação começou em janeiro, mas recebemos um volume considerável de ligações de pessoas interessadas em se tornar doadoras. Também fomos procurados por casais héteros e homossexuais que querem ter filhos, mas têm dificuldade, bem como por mulheres interessadas em dar início a uma produção independente”, detalhou a especialista.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), por trás de 40% dos casos de dificuldade de gravidez está a infertilidade masculina. E essa realidade tem impulsionado cada vez mais pessoas em todo o mundo a procurarem um banco de sêmen para coletar e armazenar o material, bem como a recorrerem ao estoque dessas instituições a fim de se submeterem a um procedimento de fertilização.

De acordo com estudo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a busca por bancos internacionais, por exemplo, cresceu 2.500% entre 2011 e 2016. O levantamento também indica que os brasileiros preferem adquirir o material genético no exterior, pois recebem informações mais detalhadas sobre o biótipo do futuro bebê. Vale esclarecer que a venda de sêmen é proibida no Brasil, mas esse tipo de comércio é possível em alguns países.

Vinícius Santa Rosa / Especial para o Metrópoles

A diretora da clínica Fertilcare, Beatriz de Mattos, explica que a doação é anônima e o receptor só paga pelos exames do doador.

Vinícius Santa Rosa / Especial para o Metrópoles


Quem pode doar?

Gabriel, 28 anos, é solteiro e não tem filhos. Ele decidiu participar da campanha de doação de sêmen da clínica Fertilcare para ajudar outras pessoas que não conseguem dar início a uma família de forma natural. “Para mim, não custa nada ajudar! Ainda não doei por falta de tempo, mas quero poder colaborar”, afirmou. “Acredito que esse trabalho é muito sério. Espero que todos os interessados possam conseguir realizar o sonho de ter filhos”, destacou.

Para tonar-se doador, é preciso ter entre 18 e 50 anos. Se aprovado em uma entrevista inicial, o candidato deve estar em abstinência sexual ou de ejaculação de três a sete dias antes de realizar a coleta do sêmen. Em seguida, o material é analisado e o doador é submetido a exames de sangue para verificar a possibilidade de doenças sexualmente transmissíveis. O voluntário também passa por uma avaliação genética. Segundo a especialista Beatriz de Mattos, a bateria de testes é uma exigência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Após esse processo, o doador deve coletar o material genético por aproximadamente seis meses, para congelamento. Posteriormente, o participante retorna ao laboratório para realizar novos exames de sangue. Beatriz de Mattos destaca que a doação é anônima e segue resoluções do Conselho Federal de Medicina e da Anvisa.

As receptoras não terão qualquer informação sobre o doador, assim como os doadores não saberão a quem seu sêmen foi destinado. A pessoa responsável pela doação também não terá acesso a esse sêmen no futuro, caso deseje.

Beatriz de Mattos explica ainda que, para o material ser usado em técnicas de reprodução humana, o receptor se comprometerá apenas com os custos dos exames realizados no doador.

Seja doador
campanha da Fertilcare será realizada até o fim deste ano. Para participar, o candidato a doador precisa primeiramente agendar uma consulta pelo telefone: (61) 3248-0101.

Aqui você confere como o material coletado é testado e armazenado:

 

Fonte: Portal Metrópoles 

 

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